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Dia do trabalho

Naquela manhã de outono, em uma cidade mineira, Carmo de Minas, despontava com sua força e calor o sol que iluminava os vários tons de verde da vegetação, que, como um imenso tapete, cobria a montanha que em sua exuberância encantava, acalmava e inspirava a quem conseguia perceber no cotidiano o milagre desta dádiva divina. As borboletas, com seu tom de amarelo ouro, contrastavam com o verde da montanha, que com a luminosidade do sol, à semelhança de gotas douradas e em meio aos pássaros, davam um toque reluzente àquela paisagem.

Surpreendentemente um barulho de máquinas de produção de blocos e bloquetes de cimento para construção passaram a compor este cenário. Em meio ao barulho das máquinas, vozes de homens que davam o tom à produção repercutiam em todo o ambiente. Era mais um dia de trabalho!

O trabalho é uma das maneiras do ser humano manifestar seu potencial criativo, é espaço de socialização, possibilidade de com o produto do seu labor suprir as necessidades diárias, além de ser oportunidade de superação das limitações e desenvolvimento de suas potencialidades. O trabalho, processo de humanização, faz parte da vida humana e está presente em todas as culturas. Ele exerce um papel fundamental na construção da identidade social e cultural das pessoas. Além de que o tipo de trabalho, a renda que se ganha com ele e a satisfação pelo que se faz, influencia as relações sociais e, principalmente, a autoestima.

Entretanto, para sua execução há que se empregar esforço mental, físico e uma espiritualidade, um sentido de vida, que faz desta práxis um exercício prazeroso de existir. Nada como dormir e acordar, tendo o prazer de começar um novo dia indo para o trabalho. E às vezes, isto se torna tão corriqueiro, que nem se pensa nesta rotina, simplesmente sai a caminho do trabalho. Mas, quando isso muda, o inverso emerge e até mesmo o prenúncio da noite se torna um pesadelo, pois antecede a mais um dia de insatisfação, de descontentamento. Tais sentimentos podem ocorrer quando a renda que se obtém com o trabalho não é suficiente para cobrir as despesas, quando a pessoa não sente empatia pelo que realiza, quando o acesso ao local de trabalho é muito distante, cansando-a sobremaneira, e quando as relações no ambiente de trabalho estão desgastadas.

Outro destaque é quando a pessoa transforma a sua vida numa existência de trabalho e, neste caso, mesmo estando com família, amigos/as, filhos/as, não se está por inteiro, está sempre com a “cabeça” no trabalho. E neste sentido, há que se administrar a questão por meio do diálogo com a empresa, se for o caso, pois quando o trabalho se torna forma de opressão, de exploração, ele é danoso e vai matando a pessoa aos poucos, vai tirando a cor da vida. O fato é que quanto mais estiver equacionado o relacionamento familiar, mais possibilidade de desenvolver suas habilidades e competências no trabalho a pessoa terá. No entanto, é preciso que, especialmente consigo mesma, haja uma reflexão sobre esta situação que carece de mudança de mente, de perspectiva do real sentido do trabalho e da vida.

Mas, neste assunto, há que se trazer à memória que as sociedades modernas transformaram o trabalho no emprego remunerado. No entanto, ainda hoje, há muitas pessoas que trabalham, mas não são remuneradas, como as que cuidam da casa, do lar, da família.  Algumas têm consciência de serem reais trabalhadoras, mas outras ainda não. Neste ínterim, a educação é fundamental para contribuir com a cidadania, a promoção da autoestima e a valorização destas pessoas que contribuem significamente para a organização social.

E por falar em educação. No dia 1º de maio, além de se comemorar o Dia do Trabalho, a Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, na Universidade Metodista de São Paulo, comemora o dia dos/as estudantes de Teologia, chamado Dia do/a Seminarista. Diversas atividades marcam este evento que envolve famílias, amigos/as destes/as e, principalmente, as Igrejas Metodistas de todo o Brasil que prestigiam seus acadêmicos/as de Teologia. Por isso, é oportuno destacar que o estudo é uma forma de trabalho, literalmente falando, pois diversas atividades acadêmicas prescrevem no processo de formação, especialmente na área teológica, trabalho e mais trabalhos.


Revda. Renilda Martins Garcia
Coordenadora da Pastoral Escolar Bennett