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O cuidado com a cidade para o bem do povo

“Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz.” Jeremias 29.7

No Brasil vive-se um tipo de regime democrático que se desenvolve a partir de bases constituídas num período de quase cem anos, ou seja, da proclamação da Constituição Republicana em 1891 até a aprovação da Constituição Federal de 1988. Um dos desdobramentos desta constatação é que todos(as) os(as) cidadãos(ãs) brasileiros(as) têm garantido o seu direito de se envolver com tudo o que é público. Tal envolvimento pode ser chamado de “política”, ou seja, os atos de pensar, propor e agir visando ao bem comum. Mesmo que os indivíduos deleguem aos(às) seus/suas representantes parte destas ações, eles(as) não podem deixar de lembrarem-se de acompanhá-los/as. O esquecimento, nesse caso, culmina com malefícios para uma fração ou toda a sociedade.

 São as razões acima mencionadas que sinalizam a todas as pessoas brasileiras que elas não devem ficar indiferentes aos assuntos sociais, antes, precisam estar cientes que o país onde residem, trabalham, estudam e se confraternizam lhes diz respeito. Logo, os problemas da cidade, ou mesmo do campo, como as precariedades nas áreas da saúde, educação, transporte, saneamento básico, trabalho, entre outros, interessam-lhe. Isto requer uma cidadania responsável, engajada e atenta aos grupos poderosos que buscam controlar o Estado com propósitos contrários ao bem de toda a coletividade.

 No capítulo 29 do livro de Jeremias, dentre várias convocações, o profeta pede ao povo que ore pela paz na cidade porque o resultado será o bem para toda a população. É interessante esta recomendação profética, pois à medida que as pessoas oram pela paz, elas se esforçam em promover a paz com ações concretas. Este é o tipo de oração que move o(a) servo(a) de Deus a atuar na cidade em nome da paz. Embora cada um(a) necessite cuidar de suas famílias e queira realizar projetos pessoais e familiares, a construção do bem estar coletivo tem primazia e carece de ser feita com sabedoria e empenho.

 O povo bíblico, numa realidade nova e desafiadora, fora convocado por Deus a romper com o círculo de medo e injustiça, sonhando com o bem comum e a construí-lo produzindo uma existência marcada pela justiça, direito, dignidade, partilha, igualdade, respeito, solidariedade e amor, isto é, desenvolvendo a arte de bem viver, o shalom em sociedade (fazer política) com a força e a inspiração do Senhor. Diante disso, os conflitos, tão comuns entre humanos, se dariam exclusivamente porque todos(as) se empenhariam em orar pela paz e a concretizá-la com zelo e criatividade.

 Esta experiência bíblica oferece bons direcionamentos a quem hoje se reconhece como parte do povo brasileiro e, consequentemente, responsável em zelar pela vida em sociedade. O próprio Deus se coloca ao lado de mulheres e homens para inspirar e auxiliar na construção de espaços e relações sociais agradáveis e edificantes. É certo que a “jovem” democracia brasileira precisa avançar, mas isso só ocorrerá se pessoas empenhadas se lançarem ao exercício da cidadania. O mesmo pode ser dito da existência em cidades e campos.

 Que o Senhor nos abençoe no cuidado da nossa “Casa Comum” para o bem de todas e todos.

Reverendo Edemir Antunes

Pastoral Escolar e Universitária
Universidade Metodista de São Paulo