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TODAS AS CRIANÇAS SÃO NOSSAS CRIANÇAS

TODAS AS CRIANÇAS SÃO NOSSAS CRIANÇAS

Acolhimento

 

   Violência, trabalho infantil, analfabetismo, desnutrição, maus-tratos, essas e muitas outras dificuldades são evidenciadas na vida de muitas crianças em nosso país. Ações desumanas como as acima citadas são vivenciadas impedindo que as mesmas tenham acesso a uma vida digna. O que é preciso? Ressignificar o acolhimento a essas crianças.

 Acolher significa “oferecer ou obter refúgio, proteção ou conforto físico, abrigar, amparar, dar ou receber hospitalidade, alojar-se”.

 Como acolher essas crianças quando muitos homens e mulheres, instituições, reproduzem comportamentos excludentes de nossas crianças.  A data de outubro é um tempo para refletir sobre o que significa: “todas as crianças são nossas crianças”.

 Acolhemos todas quando nos dispomos a ver crianças gozando de proteção integral. Quando todos os que estão ao redor delas compreendem o seu dever e evidenciam a sua prática conforme art. 227 da Constituição Federal, a saber, “é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar a criança, ao adolescente e ao jovem,  com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, a alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-las a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.

 O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, lei 8.069, de 13 de julho de 1990, há 29 anos também nos aproxima desse novo olhar, quando juntamente com outras normas nos leva a ver algumas práticas não só como crime, mas violação dos direitos humanos, ou seja, direito ao respeito, à dignidade, à liberdade, à convivência familiar e comunitária. Esta lei dispõe sobre a proteção da criança, considerando que estas devem gozar de todos os direitos fundamentais inerentes a pessoa humana. Com isso, assegura a criança... “oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade”, Art. 3. Afirmando isso a lei ainda determina que nenhuma criança é objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. Portanto, todos nós somos responsáveis pelas crianças, cabendo a nós a proteção a infância, informando e formando uma rede modificadora de condutas, culturas, sensibilizando e mobilizando a sociedade. Levar em conta que acolher é saber que toda criança tem direito ao desenvolvimento e acolhimento.

 A acolhida com afeto, refúgio, com proteção é a contramão da violência, dos maus-tratos, de toda ação não saudável a uma criança. A capacidade de amar de uma pessoa desenvolve-se nos primeiros anos de vida. Crianças bem-tratadas, criadas em um ambiente de segurança e confiança crescem sentindo-se dignas e aprendem a retribuir o afeto.  Independente de raça ou classe social nossas crianças devem desfrutar de uma infância saudável. Temos que denunciar e lutar contra tudo o que afasta as crianças de uma vida digna.

 Em um episódio Bíblico de Marcos também relatado em outros três evangelhos, Mateus e Lucas, Jesus acolhe e defende as crianças dizendo, “deixai vir a mim os pequeninos”. v.14. Um enfrentamento é evidenciado quando Jesus insistiu que as crianças que ali estavam fossem acolhidas. A lei deveria ser interpretada e vivenciada não para excluir, mas para incluir. Cumpri-la e ensinar o povo a interpretá-la corretamente foi uma das tarefas de Jesus. As pessoas ao redor daquelas crianças foram impactadas porque Jesus fez a opção de acolher as crianças. Elas não seriam excluídas, mas cuidados, amadas e protegidas.

  Ainda hoje, algumas crianças são vitimizadas quando ainda são pequenas e com reincidência de abuso, várias vezes, meses e até anos. Acolher passa então a ser de ação, onde um amplo conjunto de iniciativas governamentais ou não quebram o ciclo de impunidade e práticas que destroem a infância e consequentemente traz o saber que todas as crianças são nossas crianças em situação de risco.

 Os dados apontam que os avanços são evidenciados, Leis foram sancionadas, já existem programas do Ministério da Educação voltado a formação dos educadores, a saber, a capacitação de professores, técnicos e funcionários da escola bem como a capacitação de sacerdotes em igrejas sendo um elemento chave para o enfrentamento contra a violência e violação dos direitos da criança, mas esse é um tempo de firmar para a diminuição e extermínio das situações de risco e vulnerabilidade de crianças, temos que acolher todas.

 Na comemoração do Dia das Crianças o melhor é acolher as crianças que estão ao nosso redor, as que passam por nós, as que estão a caminho e no caminho, levando todas há uma vida saudável em todos os aspectos, pois todas são nossas crianças.

 

Reverenda Olivia Regina de Lima

Pastora

Instituto Americano de Lins